[tradução de entrevista] the GALLO fala sobre KERBEROS em longa entrevista | 「KERBEROS」インタビュー長篇


Entrevista com THE GALLO sobre “KERBEROS” disponível no OHP da banda: http://9allo.jp/media/interview/225.html

― Qual foi o conceito por trás do single “KERBEROS”?

JoJo: Tenho o desejo de superar o trabalho anterior a cada lançamento. Isso é algo que sempre penso. Tanto na música, quanto no visual, quero criar um trabalho que supere o anterior em todos os aspectos. Desta vez, não foi decidido que “vamos seguir essa direção”, o ponto de partida foi esse da superação. Cada um trouxe suas músicas, e escolhemos três entre elas.

Kaede: No início, cada um estava compondo separadamente, mas quem começou a se movimentar mais cedo foi o JoJo. A faixa-título “KERBEROS” foi uma co-criação do JoJo e do Wajow, e acho que o JoJo tinha algo em mente para o single.

Wajow: Quando fizemos “KERBEROS”, o JoJo veio até minha casa e disse que queria fazer uma música com motivos de rock clássico. Ou seja, naquele momento, o JoJo já tinha uma visão inicial. Então, ouvi várias ideias dele sobre a imagem da música, escutamos rock clássico e fomos moldando “KERBEROS”.

JoJo: Quem ouvir com atenção vai perceber imediatamente a base de “KERBEROS”, mas tínhamos a confiança de que, mesmo fazendo esse tipo de música, nunca seria igual ao que qualquer outra banda já fez. São as minhas próprias melodias, e também as melodias que só o GALLO pode fazer, bem como a visão de mundo das nossas letras. Além disso, a ideia inicial era fazer uma música grandiosa com cerca de 10 minutos de duração. Mas, no meio do caminho, surgiu a conversa: “Não está muito longa?” (risos). Essa música começa com uma introdução de um mundo meio misterioso e depois muda para um toque mais speed metal, sabe? A intenção era levar um pouco mais de tempo para desenvolver essa parte, mas decidimos encurtar a introdução. No começo, pensei que a introdução teria uns 2 minutos.

Todos: Hã? Isso é longo (risos). Seria cansativo tanto para quem assiste quanto para quem está tocando (risos).

JoJo: Pensei em usar a introdução como uma “SE” (sound effect). Temos uma música chamada “Maou Taidou” e a usamos como SE nos shows. Mas achei que seria um pouco exagerado, então, mantendo o fluxo das várias cenas que vão se desenvolvendo, compactamos a música. Acho que conseguimos encaixar isso muito bem.

 

― Sobre a letra de “KERBEROS”, podem falar um pouco?

JoJo: Desta vez, o ponto de partida foi fazer a letra mais cruel da minha carreira. Como sempre, mantendo o contraste entre o cruel e o belo, tentei levar a crueldade ao extremo. Mas, no final, acabou ficando “bonito” demais... acho.

 

― Hã? ...É mesmo?

JoJo: Outras pessoas podem achar a letra muito macabra, mas eu, pessoalmente, sinto que poderia ter escrito algo um pouco mais... Quem conhece o GALLO por esta música pode pensar que o “canibalismo” é uma metáfora, mas não é o caso. Descrevi diretamente a imagem que tinha em mente. Acho que letras com temática do canibalismo têm um grande impacto quando musicadas, mas acho que “KERBEROS” também tem alta qualidade como uma leitura comum. Nesse sentido, estou satisfeito.

 

― Noutra ocasião JoJo nos disse que, mesmo em letras sombrias ou cruéis, está cantando sobre amor. Como isso se aplica aqui?

 JoJo: “KERBEROS” também tem amor. Basicamente, é sobre amor. Desde o terceiro lançamento do GALLO, escrevo todas as músicas pensando que são canções de amor.

 

― Quero muito que nossos ouvintes entendam esse ponto. Então, como foi a gravação de “KERBEROS”?

 Kaede: Na bateria, já na fase da demo, havia a expectativa de usar bumbo duplo rápido e fills metálicos. Eu nunca tinha tocado esse tipo de coisa antes e, no começo, resisti. Mas entendi que, pelo estilo da música, a bateria deveria ser assim. Confiando nos outros, fui gravar com a mentalidade de “seja o que for que aconteça como resultado de eu tocar essa bateria, que seja”. Tecnicamente, eu conseguia tocar, mas havia uma dúvida se aquilo soaria como “eu” ao ser tocado. Porém, ao ouvir as gravações, senti que minha personalidade estava ali e que consegui fazer um bom desempenho.

 

― É uma bateria poderosa e técnica, muito legal. E o som da bateria tem a cara do Kaede, o que é ótimo.

 Kaede: Foi o que eu disse. Achei que seria simplista demais usar apenas um bumbo potente e uma caixa pesada só porque é uma música com pegada metálica. Além disso, sempre evitei usar gatilhos (triggers: ferramentas que processam artificialmente sons de bateria), então mantive esse cuidado como sempre. Com “KERBEROS”, espero que as pessoas vejam que também posso tocar esse tipo de bateria. Mas, ao vivo, tenho que tocar bumbo duplo enquanto faço backing vocals. Isso é algo que não é tão perceptível, mas para mim o destaque é que estou cantando ao mesmo tempo.

Andy: Quando ouvi a demo de “KERBEROS”, pensei que esse tipo de música funciona se a bateria, a guitarra e o vocal estiverem bons, então o baixo pode ficar de boa (risos). Por isso, o baixo ficou simples, e não tenho muito a dizer.

 

― Isso não é verdade. Você toca um baixo bem movimentado no refrão e na ponte, e há pontos em que ele “ondula” no meio do ritmo acelerado.

 Andy: Pensei nas frases para me mover nos momentos em que precisava me mover, mas não pensei conscientemente em “ondular”. Então, isso foi um resultado natural. Para ser honesto, eu nunca tinha passado por esse tipo de processo musical. Já ouvi, claro, mas nunca toquei. Então, não tenho certeza se a minha abordagem está certa ou errada. Fui estimulado pela ideia de tentar algo novo, e é uma música divertida de tocar.

 

― Na música não existe apenas uma resposta, e acho que isso desempenha um papel importante em termos de ritmo.

 Andy: Sério? Fico feliz se você sentiu isso. E com certeza, à medida que tocarmos essa música nos shows futuros, coisas novas surgirão. Estou ansioso por isso.

Nov: Quando ouvi a demo de “KEROBEROS”, pensei “É agora!”. Originalmente, comecei a tocar guitarra porque gosto do Hide do X JAPAN, então gosto desse tipo de música. E também fiz muitos covers de metal. Mas era a primeira vez que fazia uma música original nessa linha, então pensei na abordagem da guitarra lembrando daquela época. No GALLO, não há uma divisão de papéis definida entre mim e o Wajow. Eu penso na minha parte, envio para o Wajow, ele coloca a guitarra, ouço e arranjo, e envio de volta... vamos construindo assim. Então, nessa música, não é um formato onde um faz o acompanhamento e o outro faz os solos. As duas guitarras atuam organicamente.

Wajow: Assim como o Kaede e o Andy, também não tenho muita familiaridade com esse estilo de música. Então, fiquei bem angustiado pensando na guitarra. Eu queria dar meu toque pessoal, sem me inclinar totalmente para o metal. Então, usei meu excesso que costuma incomodar os membros e minha tendência a preferir uma guitarra só em vez de sobrepor várias (risos). Além disso, usei uma guitarra com captadores single-coil (nota: um tipo que produz um som agudo) para dar um toque especial, em vez de apenas volume. No final, acho que ficou interessante.

 

― A combinação do Nov, mais metálico, e do Wajow, mais pontiagudo, é excelente. E a seção onde os dois fazem solos alternados também é um destaque.

Wajow: O solo de guitarra é primeiro eu, e depois o Nov. Meu solo foi baseado em um take que gravei meio que improvisando quando fiz a demo e enviei para os outros, e que ficou bom, então aproveitei.

Nov: Ouvi o solo do Wajow e pensei que, se ele veio com essa abordagem, eu também precisava atacar. Toquei um solo técnico e com emoção. A estrutura é clássica: solos alternados e, no final, harmonizamos juntos.

Wajow: É bem clichê, né? (risos). Mas achei que precisávamos incluir isso, então decidimos fazer.

Kaede: Os riffs de guitarra harmonizados entre as partes cantadas também são pontos importantes, né? (risos)

Wajow & Nov: Exato, exato (risos).

JoJo: Acho que “KERBEROS” se tornou algo interessante porque cada um mostrou sua individualidade enquanto acertava os pontos-chave. Sobre o vocal, eu também não tenho familiaridade com metal. Provavelmente sou o menos familiarizado com o gênero entre os membros. Eu vinha do punk, então via o metal como inimigo. Pensava: “O que é esse agudo?” e, em relação aos instrumentos, pensava “não precisa de tanta técnica assim”. Mas, depois de estar numa banda por um bom tempo, comecei a sentir que é errado criticar algo que você nem sequer experimentou. Além disso, tive a oportunidade de conhecer pessoas que são consideradas lendas, e vi que até mesmo esses veteranos têm todo tipo de preocupações e dificuldades ao fazer música. Saber disso me fez perceber ainda mais que é errado criticar algo sem nem mesmo tentar.

 

― Então você aceitou o desafio. Quando uma banda lança uma nova direção, muitas vezes o som muda, mas o vocal permanece o mesmo. No entanto, em “KERBEROS”, você mostrou agudos no estilo metal, o que foi surpreendente.

 JoJo: Sabe como existem vocalistas cujo estilo é completamente diferente agora em comparação com a época em que estrearam? Essas pessoas dizem que mudaram naturalmente conforme suas carreiras progrediram, mas definitivamente não é o caso; elas mudaram conscientemente. Sei disso porque também sou vocalista. Achei que seria bom ampliar meu repertório para futuras batalhas, então me desafiei com algo novo. Mas não tive muita dificuldade, nem mesmo com as notas altas, e foi tipo, “Ei, eu consigo fazer isso...”. “KERBEROS” começa com as notas mais graves e termina com notas muito agudas, então há uma extensão muito grande em uma única música. Ter essa variedade do grave ao agudo é o que considero belo em mim mesmo agora. Então, acho que isso é bom.

 

― Pode-se dizer que “KERBEROS” é uma música que reafirma a alta habilidade técnica de todos vocês.

 JoJo: Em “KERBEROS”, também queria mostrar o quão legal é tocar instrumentos. Há muitas formas de mostrar o instrumento, mas queria mostrar uma legalidade fácil de entender. Espero que os fãs que nos conhecem possam sentir o charme de cada parte que ainda não viram, então incluímos partes onde cada um se destaca. Ainda não lançamos, então é uma previsão, mas sinto que, ao fazer “KERBEROS”, a reação do público pode mudar. Nesse sentido, acho que foi um bom desafio.

 

― Queremos que os fãs sintam esse novo charme do GALLO o mais rápido possível. Então, vamos falar sobre as faixas do lado B.

Kaede: A segunda música, “kaichuu” (蛔蟲), também tem um toque que não era muito comum no GALLO até agora. Recebi do JoJo uma espécie de tema ou direção, e já tinha uma imagem desse mundo em mim. Pensei em como seria se eu compusesse adicionando meu toque pessoal àquela base, e comecei a trabalhar. O tema que o JoJo me deu, para mim, tinha uma sensação de decadência e uma imagem monocromática. A partir daí, expandi e moldei a música.

 

― A atmosfera sombria é forte, e a parte do meio com um toque de reggae que acelera gradualmente é um arranjo genial.

Kaede: Aquela parte foge do tema do JoJo. Eu gosto da banda System of a Down, e queria incluir essa pegada. Achei que seria um bom gancho e que colocar algo diferente tornaria a música mais única. Mas, quando você desacelera e depois acelera gradualmente, não dá para usar o metrônomo, né? Então, na gravação, cortei o metrônomo só naquela parte. Essas coisas não planejadas que aparecem espontaneamente são uma das graças dessa música.

JoJo: A letra de “kaichuu” (蛔蟲), em termos bem diretos, descreve um stalker, um pervertido. Entre as três músicas, acho que a letra e o vocal são os mais “típicos” do GALLO. Como quem diz “você gosta desse tipo de coisa, né?” (risos). Minha maneira de cantar tem uma base que remete ao visual kei clássico, e nessa música eu enfatizei isso. Então, é um vocal que transmite uma vibe “JoJo fácil de reconhecer”.

Andy: Para o baixo de “kaichuu” (蛔蟲), me pediram para seguir a sensação do tema que o JoJo mencionou. Com base nisso, adaptei para um baixo com a minha cara. É um baixo que se move o tempo todo, mas os fraseados foram surgindo naturalmente, então não tive muita dificuldade.

 

― Muito bom. O staccato nas seções B e C, e o fraseado no refrão que se entrelaça com a melodia, demonstram grande bom gosto em cada detalhe.

Andy: Obrigado. O staccato surgiu naturalmente, mas no refrão pensei um pouco mais. Queria incluir frases interessantes nos espaços entre o vocal. Das três músicas, essa é a que mais gosto no quesito baixo, então ficaria feliz se os ouvintes prestassem atenção nele.

Nov: Nessa música, consegui incluir muitos fraseados do jeito que gosto. Gosto de fraseados que usam o “espaço” ou que entram no contratempo, e acho que consegui usá-las bem. Na primeira parte, enquanto o Wajow toca no contratempo, eu toco os acordes no tempo forte, criando uma estrutura de colcheias com duas guitarras. O Wajow mandou o fraseado primeiro, e ouvindo ele tocar no contratempo, pensei que se eu tocasse no tempo forte ficaria interessante. Surgiu uma “ondulação” que não acontece quando uma guitarra só toca colcheias, e estou gostando.

 

― Nov, você toca um acorde com uma sonoridade muito bonita na ponte.

Nov: Quando ouvi a demo, essa sonoridade de acordes surgiu na minha cabeça. Queria aproveitar isso, então peguei as notas dos acordes, pensei na posição da mão esquerda e cheguei aos acordes atuais. Acho que consegui mostrar minha personalidade também nesse ponto.

Wajow: Nessa música o compositor, Kaede, tinha uma imagem muito clara em mente, e como era exatamente o que eu gosto, foi difícil me desvencilhar disso. Por gostar tanto, no começo coloquei fraseados muito diretos (risos). Isso seria apenas uma cópia, então a partir dali fui adicionando minha cor. Foi trabalhoso, mas acho que consegui fazer algo com a minha identidade.

Kaede: Na bateria, quando componho, não penso nela. Sem considerar que vou tocar, coloco a bateria que a música exige de um ponto de vista objetivo. Depois, entro no estúdio, toco e descubro “ah, é assim que é”. Com essa música foi a mesma coisa; quando toquei, pensei “uau, essa música é agitada” (risos).

 

― O padrão de bateria na primeira parte é bem complexo, não é?

 Kaede: Não, não é tanto. São só dois padrões: “dottá-dottá” e “dottá-dokotá”. É a sobreposição do baixo e da guitarra que faz parecer algo complexo. Gosto bastante desse tipo de “quebra-cabeça” e uso isso com frequência.

 

― A transição da atmosfera caótica da primeira parte para a aceleração súbita na ponte é muito boa. A terceira música do single é “shinkei gata sensuikan - kokkei” (神鯨型潜水艦・黒鯨), composta pelo Andy.

Andy: Essa é uma música de uma banda que eu e o JoJo tínhamos antes. O JoJo disse que queria fazer aquela música, então a trouxe. Então essa música é antiga. Compusemos há uns 9 anos, né?

 

JoJo: A música original é de uns 12 anos atrás. Então essa já é uma veterana¹ (risos).

 

― Mas não parece datada, tem um charme atemporal.

 Andy: Sim. Ao regravá-la, fiz alguns rearranjos. Quando ouvi a versão antiga, encontrei alguns pontos que queria ajustar. Mas como perdi meu computador, usei o GarageBand no iPhone para rearranjar (risos).

JoJo: E também reescrevi a letra. Das três músicas, a letra dessa foi a que levou mais tempo. A música “kamikaze gata kuchikukan - yamikaze” (神風型駆逐艦・闇風), que lançamos há alguns anos no single “INCUBUS” (2015), também tinha raízes naquela banda anterior, e reescrevi a letra para o single do GALLO. A banda que eu e o Andy tínhamos antes tinha o tema de piratas, e pensei que não seria legal trazer essa vibe de piratas para o GALLO. Então, misturei a Marinha Imperial Japonesa, piratas e horror na letra. Para essa música, segui a mesma linha. Originalmente era uma música sobre baleias, então pensei “baleia = submarino”. Imaginei que se a tripulação dentro do submarino fosse de fantasmas ou zumbis, combinaria com a imagem do GALLO. Essa parte estava boa, mas esta música não tem muita letra. Então, foi bem difícil condensar a imagem que eu tinha.

 

― Mas, ao não dizer tudo, a letra acaba estimulando a imaginação do ouvinte.

JoJo: Pode ser. Nesse sentido, talvez pudesse ter sido mais simples, mas pensei que os fãs do GALLO sentiriam falta de algo se fosse muito simples. Então, acho que equilibrei bem.

Kaede: “shinkei gata sensuikan - kokkei”, em comparação com as outras duas, tem mais aquela cara de “isso é GALLO”. Senti que era uma “arma” que mostra porque o GALLO é o GALLO. Como é uma direção que a banda domina, a bateria também foi divertida. A bateria dessa música, acho que é meio melody-core (メロコア).

 

― De fato. E o rufar da caixa no refrão também é um bom gancho.

Kaede: O JoJo gosta bastante de rufar a caixa (risos).

JoJo: É, gosto (risos).

Andy: Como o rufar é fácil de fazer gestos, mesmo no meio do barulho dá para se comunicar com o Kaede (risos).

JoJo: Isso mesmo (risos).

Andy: E o JoJo também gosta de muitos ataques no tempo forte (risos). O baixo dessa música é quase o mesmo da versão anterior. Desta vez, um novo refrão foi adicionado, mas o refrão é apenas um riff em uníssono. Então, essa música foi bem tranquila e acho que ficou divertida. O que me preocupei no fraseado do baixo foi a parte que parece um “walking” na introdução. Em vez de tocar o padrão walking diretamente, quis dar uma sensação mais suave. Tocar walking deixaria um pouco rústico, então ajustei para um ponto que achei adequado.

Nov: Minha parte nessa música é mais de uníssono e sustentar a base, então é simples. Por isso, queria fazer algo interessante. Aí tive uma ideia com um isqueiro, de fazer um slide (bottleneck) com ele. Achei que ficou bom, então resolvi usar. Por isso, nessa música estou usando um isqueiro como slide (bottleneck) (risos).

Wajow: Para mim, acho que o uníssono é a forma mais forte de causar impacto no ouvinte. Então, tenho a tendência de ir direto para o uníssono, e nessa música isso fica bem evidente. Minha abordagem foi tocar em uníssono e colocar fraseados nos pontos-chave. Na primeira parte do segundo verso, faço uns “cuttings”, e na ponte toco arpejos, conseguindo dar uma coloração eficaz.

 

― Como o Nov entrou depois, seria natural que o Wajow ficasse com a guitarra solo e o Nov com o acompanhamento. Mas gosto muito de como vocês dois usam suas personalidades.

Wajow: Se pudesse, eu ficaria só fazendo acordes do começo ao fim (risos). Mas, relutantemente, vou acrescentando coisas (risos). Então, fico feliz que o Nov faça várias coisas. Na verdade, digo a ele para fazer algo (risos).

Nov: Como o Wajow tem essa postura, eu também me divirto. E, apesar de ele dizer isso, às vezes ele aparece com fraseados que se destacam (risos). Quando isso acontece, eu recuo, e não me importo com isso. Acho que a dupla de guitarras do GALLO está funcionando bem. Além disso, eu e o Wajow nos conhecemos há muito tempo.

Wajow: Sim. Já comemos hormônios juntos (risos). Nos comunicamos bem, e mesmo sem discutir detalhadamente a abordagem da guitarra, as coisas se encaixam. Acho que o fato de nenhum de nós dois ser muito impositivo é o que funciona.

JoJo: Acho que a harmonia de vocês dois é muito boa. No vocal de “shinkei gata sensuikan - kokkei”, evitei forçar demais. Não queria que ficasse muito punk. Queria que soasse como “o JoJo” cantando, então eu poderia forçar se quisesse, mas achei que não era o caso. E achei que, em vez de focar no meu vocal, seria melhor colorir a música com os backing vocals. Esse toque meio brincalhão nos backing vocals é uma das personalidades do GALLO, e acho que não se ouve em outras bandas. Então, como sempre, pensei bem e fiz os backing vocals brincalhões com seriedade.

 

― Este single não tem uma imagem de “faixa-título + lado B”; são três músicas imperdíveis. Além do lançamento de “KERBEROS”, a turnê principal do GALLO, GALLOLUDE N°1, acontecerá de março a abril. Estamos animados.

Kaede: “GALLOLUDE N°1” é um show duplo com a banda Kuroyuri to Kage, e meu cuidado foi escalar o máximo possível bandas locais. Há vantagens em fazer turnê apenas com bandas de Tóquio também. Há fãs que viajam de longe, o que é ótimo, claro, mas às vezes acaba com as pessoas dizendo: “Se é assim, por que vocês não fizeram em Tóquio?”. Claro, isso se deve em parte às nossas próprias limitações. Além disso, ouvi dizer que alguns lugares não são tão vibrantes quanto costumavam ser, então eu queria revitalizar a cena. Por isso, decidi deixar de lado a lucratividade e o nível de sucesso por enquanto e me concentrar em qual tipo de turnê seria a melhor. Esta é a primeira vez que organizo uma turnê sem nenhum trabalho de produção envolvido, e fiz todas as reservas por telefone. Em outras palavras, tudo foi iniciado por nós. É por isso que estou tão apegado a ele, e tenho certeza de que será uma ótima turnê, então espero que vocês estejam ansiosos por ela.

Andy: O bom dessa turnê é que vamos a lugares que nunca fomos, então estou animado. Além disso, é primavera, a época em que as pessoas querem sair. Então, espero que venham às casas de show sem conter essa vontade e que possamos passar um tempo divertido juntos.

Wajow: Estou ansioso pela turnê. Gosto de turnês, e como desta vez tem um aspecto conceitual, estou mais animado ainda. Sempre tenho o pressentimento de que faremos bons shows. Então, agora estou cheio de vontade de sair em turnê logo.

Nov: Estou animado para levar as boas músicas de “KERBEROS” aos fãs na turnê após o lançamento. Vamos mostrar um novo GALLO, então espero que vocês sintam isso. Tenho confiança de que não vamos decepcionar as expectativas de quem vier.

JoJo: Estou animado para tocar com as bandas locais, mas estou realmente animado para fazer a turnê com Kuroyuri to Kage. Eles vão fazer uma pausa a partir de agosto deste ano, então esta provavelmente será a última vez que faremos uma turnê juntos em algum tempo. Originalmente, fiquei amigo do guitarrista e do baixista do Kuroyuri, mas o vocalista é tímido, então mesmo quando nos encontrávamos, quase não conversávamos. Eu estava pensando em começar a turnê com uma atitude um pouco confrontadora. Pensei que, se fizéssemos isso num clima de “qual o problema com esse cara?”, o show seria definitivamente melhor. Justo quando eu estava pensando nisso, por acaso o conheci e nos tornamos amigos (risos). Ele é um cara bem legal... então isso é um pouco preocupante (risos). Pessoalmente, quando me torno amigo de alguém, começo a pensar se eu seria capaz de matá-lo. Mesmo assim, vou matar todos eles. É esse tipo de mentalidade que quero ter em turnê. Além disso, o título da turnê “GALLOLUDE” é um trocadilho com “PRELUDE”. Por favor, lembrem-se disso e aguardem o momento em que ficará claro para que servia esse prelúdio.

 

Notas de tradução

 1. “10年選手” é uma expressão, em alguns contextos é considerada negativa. Literalmente significa “jogador há 10 anos”. A ideia é que esse jogador é velho, meio similar ao nosso “fim de carreira”, mais ou menos.